Eu e os plantonistas

Acabei de ler mais um relato de parto do Instituto Nascer. Estou com 20 semanas e ontem estive lá de novo para mais uma massagem com a Camila. Confesso que cheguei a pensar em arriscar um parto normal. Desde que fosse no Vila da Serra. Desde que eu fosse anestesiada. Não sei por que, mas eu tenho me preparado para parir. Assim, PARIR. Alguma coisa me diz que dessa vez vai ser diferente. Deus me livre, lógico. Mas isso não sai da minha cabeça.

Esse relato foi de uma mãe que teve parto normal com 33 semanas. 33 semanas… Não, não pode sair neném com 33 semanas! É arriscado demais, né não? [Pausa pros meus pensamentos…]

Aí ela fala da bolsa rompendo com ela em casa sozinha. Eu penso: não quero isso nem se a torcida do Flamengo estiver comigo.

Ela fala que a placenta não saiu. Eu penso: em cesárea isso não acontece.

Ai, ela fala tanta coisa, de tantas dores, tantos inesperados que eu confirmo: realmente quero a cesariana. O desconhecido me gera um medo e uma ansiedade muito, muito, muito grandes. E ansiedade é a única coisa nessa vida que eu não consigo controlar.

Aí ela xinga plantonistas e enfermeiras do Vila da Serra. Fala que a pediatra plantonista estava urubuzando o parto dela, que a enfermeira era tosca…

Olha, eu sei que os profissionais que trabalham sob stress constante em hospitais e pronto-atendimentos tendem a ser um pouco mais insensíveis e mais técnicos, estatísticos, mesmo lidando com gente. Também sei que, em se tratando de um hospital materno-infantil a sensibilidade desse povo devia ser maior ainda. Quem está lá e não é mãe, vai ser. Quem já é, está com uma criança. E deveria ser aplicado um teste, uma dinâmica especial em quem trabalhasse ali. Concordo mais ainda que se você não tem nada que preste pra falar, que não fale nada. Que não diga absolutamente nada sobre o bebê nascer com 33 semanas, que não traga nenhuma palavrinha negativa para onde a criança vai nascer. Eu sei de tudo isso.

Mas também sei que eles estão ali trabalhando para salvar vidas e não para atender caprichos.

Eu sou tipo frequentadora de hospital. Sério. Tive endometriose duas vezes, tenho sinusite crônica e um baixíssimo nível de tolerância à dor. Posso arriscar dizer que conheço, pelo menos, 30% da folha de pagamento do Vila da Serra. E sei que as pessoas que trabalham lá, principalmente no plantão, são muito bem intencionadas e já viram todo tipo de desgraça acontecer. Paralelo a isso, desconheço o médico que fica OK perdendo paciente. E isso acontece. Toda hora.

Então não acho que plantonista agoure o parto de ninguém. Acho que plantonista está ali para fazer o que tem que ser feito. E se tirar a criança é o que tem que ser feito – pelo bem dela e da mãe – então que se tire a criança! E eu entendo a cabeça de plantonista: tem aquela ali que está parindo, tem a outra que está na fila pra parir, tem a que está morrendo com pressão alta, tem a que abortou e está sangrando. Tem essa multidão de mulheres, cada uma com a sua dor, que precisam da mesma médica. E é obrigação dela salvar todas aquelas vidas no menor espaço de tempo possível!

Mesma coisa pra enfermeira. A gente surta de esperar que elas venham para nos ajudar, nos socorrer, trazer o remédio, o soro, o resultado do exame, o médico pelos cabelos. Estive internada há pouco tempo. Sei disso. Mas é a nossa campainha e a do resto do andar tocando!

Por saber disso muito bem, eu não tive o primeiro e espero não ter a minha filha no plantão. Por saber disso, eu vou pagar (caro!) para ter o parto com a minha médica de confiança (mesmo se não for na hora que eu tiver planejado).

Com relação aos anestesistas, saiu uma pesquisa que mostra que “em alguns procedimentos cirúrgicos, a anestesia é a etapa mais delicada de todo processo. Aplicá-la, ficar atento aos sinais vitais do paciente e observá-lo durante a recuperação é a função de alguns enfermeiros. Um erro pode custar uma vida. Por isso, a complexidade da situação rendeu para estes profissionais 78,8 no item que mede as consequências de um erro durante o expediente. Em stress, a pontuação foi de 94,7. E, em pressão do tempo: 67.” Fonte: http://goo.gl/aCd9lQ

No meu primeiro parto, você acha que o anestesista foi MEGA LEGAL?! Não, não foi. Ele foi bom, preciso, mas não foi uma gracinha. Eu tava tensa, com medo, uma agulha gigante ia entrar nas minhas costas, entre as minhas vértebras e, mesmo tendo passado por uma consulta com um anestesista antes, eu morria de medo de dar qualquer coisa errada e eu ficar paralítica (eu sei que isso é bem difícil, mas não há racionalidade no medo, trust me)!

Na primeira tentativa de aplicação da anestesia, eu mexi. O raio da picada doeu e eu mexi. O médico ficou feliz? Não! O que quer que acontecesse, se eu dançasse Ragatanga na hora, a responsa seria dele. Então ele engrossou a voz e (eu lembro como se fosse hoje) disse: “Camila, você tem que cooperar. Você tem que ficar quieta e se concentrar, senão eu não vou conseguir fazer.”

Segurei firme nas enfermeiras (tomei a anestesia sentada) e falei alto pra mim mesma: “Vamos lá, quieta, Camila. Fica firme aí!” Segurei o ar, fechei o olho e deixei arder! O cara tá lá fazendo o trabalho dele, me ajudando a trazer meu filho pro mundo, pra mim, tirando a minha dor, fazendo o melhor que pode! E com a pressão do mundo nos ombros. Pô! Tem dó!

Enfim… Eu sou mimada, todas as mães merecem ser mimadas e tal. Mas todos os seres humanos merecem ser respeitados e seus trabalhos valorizados. Gosto do povo do Vila da Serra. Toda vez que meu calo aperta, eu corro pra lá. E como ou eu gosto muito ou odeio profundamente, fica aqui a minha defesa àquelas pessoas que, mesmo com toda a correria do mundo, fazem o que podem por mim quando eu dou o ar da minha graça precisando de ajuda.

Gerente de quê?

Então você acordou um belo dia e na sua assinatura de e-mail, abaixo do seu nome, a descrição do seu cargo começa com a palavra GERENTE.

Fonte: GettyImages

Gerente financeiro, de RH, de marketing, de mídias sociais (agora é moda!), de planejamento, comercial, jurídico, de projetos… Se você está aí, no meio do caminho entre os executores e a diretoria, alguma coisa certa você fez. E alguma coisa você tem para ensinar aos que ficaram abaixo de você.

Sim, porque gerente sem subordinados, não existe. Você precisa de pessoas que cumpram determinadas tarefas (inúmeras tarefas), que você administra, gerencia, trabalha para que essas tarefas saiam a contento.

Leu bem o que eu disse no início da última frase? Você PRECISA de PESSOAS. Para ficar aí em cima e continuar sua escalada rumo ao topo, você precisa que aquele monte (montinho ou montão) de PESSOAS façam o trabalho delas direito, bem feito, pra você poder apresentar um relatório digno pro seu chefe e dizer que você conseguiu.

Então além de gerenciar o número de checks da sua lista de tarefas do dia, você tem que gerenciar as PESSOAS que trabalham com você (ou se você for muito egocêntrico, gerenciar as pessoas que trabalham PARA você). E aí que está o grande lance entre você ser um gerente de respeito e ser um escroto.

Tem gente que domina a arte da escrotice! Fonte da imagem: Getty Images

Todos os seres humanos saem da cama com um propósito de manhã. Esse propósito pode ser chegar na hora, bater o cartão, cumprir as tarefas do dia com o mínimo esforço necessário para não ser demitido, ir embora na hora e receber o salário ou pode ser algo maior: o cara pode amar o que faz e querer buscar um caminho próspero para a carreira que resolveu seguir. Pode querer buscar se aperfeiçoar, aprender, crescer, ampliar relacionamentos, acumular conhecimento e aplicar com os clientes (internos ou externos) da sua própria empresa – e fazê-la crescer. E, garanto, o tesão desse cara depende de você, gerente.

Se você for um cara centralizador, castrador e mau educado, vai perder seus talentos (funcionários e clientes) em dois tempos. De gente medíocre o mercado está cheio. Custa é pra garimpar quem realmente está a fim de ter um TRABALHO e não somente um emprego.

A receita pra jogar água no fogo de um bom funcionário não é extensa: basta um tanto de ego. O gerente que não delega, não confia, não transmite seus conhecimentos e não deixa seus funcionários explorarem suas melhores capacidades, acreditando ser sempre o motivo e a razão de tudo existir, não retém gente boa e não contribui para a empresa crescer – pelo contrário. Qualquer pessoa que passar pela sua equipe vai definhar ou vai sair. Fato.

Gerenciar pessoas e as tarefas das pessoas exige um grau alto de altruísmo e confiança em si próprio. O gerente indispensável é aquele cara que todo mundo ama ter como chefe. Ele pode até não ser tão bom como executivo, mas é uma pessoa que certamente vai cativar uma equipe que pode ser boa por ele.

Cena do filme “Os Estagiários”. Quer melhor definição de gerente? Fonte: Best Cine

Todo funcionário tem uma vida fora da empresa. Tem sonhos, expectativas, família, amigos, problemas, frustrações. E mesmo que tenha só um gato, é legal que o gerente se interesse por isso. Que seja flexível, que incentive a melhorar, que dê uma mão, uma palavra amiga ou um dia de folga.

Tem que se responsabilizar pela vida do funcionário fora da empresa? Lógico que não. Quem está registrado sob um CNPJ está para trabalhar, não para fazer amigos (a priori). Mas é bom saber que o trabalho é um conforto, um passo à frente, e não um martírio. Isso é trabalho do gerente. Tratar bem é o mínimo. É o respeito por aquela pessoa que não está ali para te fazer um favor, e sim porque, de alguma forma e em algum momento, você (ou sua empresa) fazem parte da vida ou dos objetivos dela. E ela sabe disso.

É fato que tem gente sem perfil pra ser gerente e que é promovido apesar disso, levando em conta somente a sua produtividade como executor. Alô, diretoria! Esse papel cabe a vocês – que nada mais são do que grandes gerentes que gerenciam gerentes – que também são pessoas.

Já vi muito vendedor que era muito foda no que fazia. Tinha uma excelente carteira, vendas acima da média, bom contato com os clientes. E quando virou gerente comercial, viu a carreira definhar. Porque apesar de saber lidar bem com os clientes, não sabem liderar os funcionários.

Eu tenho pra mim que ainda não sei ser gerente. Não porque eu não considere as pessoas (acho que nesse ponto eu seria até meio mãe), mas porque não consigo desapegar das minhas tarefas. Não consigo delegar um texto para alguém redigir, não consigo pedir para que outra pessoa interprete e faça uma análise de um relatório, não consigo receber um briefing de uma terceira pessoa que não seja o cliente direto. Essa distância me incomoda, é muito grande, eu sinto que ainda perco alguma coisa no processo. Não que eu ache que só eu consiga fazer o que eu faço (até porque tenho um par que atende outros clientes), mas eu não consigo desapegar das minhas responsabilidades. Sei disso.

Pra mim hoje vale mais a minha satisfação com o meu trabalho, a minha sensação de dever cumprido, do que um título no crachá. Claro que tenho grandes aspirações e que, em algum momento, vou ter que delegar para alcança-las. Mas ainda não é a hora, não me sinto pronta ou madura o suficiente para isso. Quando for a hora, eu vou. Enquanto isso fica aqui o meu pleito por gerentes que tenham a real noção do que é ter uma equipe e do que é gerenciar pessoas. E não um vampiro de produtividade.

Grávida… e sem benefícios

Quinta-feira! Graças!!! E hoje eu entro na 19a. semana! Faltam 21 pra minha princesa chegar! Não vou nem dizer que estou começando a ficar ansiosa porque eu sou a ansiedade.

O que é ansiedade

Ontem o dia foi absurdamente corrido e tenso. E eu tenho ficado muito cansada, embora não menos enérgica. Depois que as infecções e dores de cabeça lancinantes foram embora, tenho tido muito mais disposição para ficar “na função”, mas confesso que o preço tem sido belas dores nas costas.

07:30: pulei da cama. Hora de despachar a criança pra escola. Ian fica no colégio em horário integral. É legal porque ele fica entretido o dia todo, tem mil atividades, faz judô, educação física, aula de música e tudo o mais. Mas sinto que ele já está ficando cansado de passar o dia na escola e eu cansada de terceirizar a educação dele o dia inteiro. Queria que ele fizesse menos atividades, mas que fossem mais específicas. Enfim, cada um se ajeita como pode e eu preciso trabalhar em tempo integral (sou empregada, 40 horas semanais e escritório longe de casa). Minha mãe também trabalha o dia todo, enfim. Prefiro mandar pra escola do que ficar tensa com babá. Foi a melhor solução que eu podia ter arrumado no momento.

Eu tenho uma hora pra tirar o Ian da cama, despachá-lo pra escola e estar pronta pra sair de casa para ir trabalhar. Se tudo não estiver perfeitamente orquestrado, a primeira hora da manhã já vira um desastre!

Então o que dá pra deixar na mochila pronto pro dia seguinte, eu já deixo: o uniforme da tarde, a agenda lida, o para casa feito. Durmo já de banho tomado pra não perder tempo de manhã (ele também) e deixo minha roupa mini separada pra não divagar no armário.

Faço o café pra ele, troco a roupa e arrumo o lanche. Quando ele está prontinho, eu troco de roupa voando, tomo café, escovo os dentes e saio pra trabalhar. Se não tiver dado tempo de tomar café, pego o que tiver na geladeira. E se a geladeira estiver dando eco, dou um jeito no escritório.

08:30: Off to work. Pego meu carona (sim! Eu dou carona! Sou gentil no trânsito!) e vamos pro trabalho há 6,5km da minha casa. Vou de carro, então não ganho nenhum tempo no trânsito. Só rezo pra não engarrafar pra eu conseguir chegar no escritório na hora certa e não ter que ficar depois do horário.

09:00: Chego no escritório. Se não tiver tomado café em casa, é hora de pegar pão como tio da bike que passa na rua buzinando com sua cestinha cheia. Tomo o único copo de café do dia e encho a primeira de trocentas garrafinhas de água que vou tomar. Vou comendo na mesa mesmo enquanto revejo as redes sociais de todos os clientes, respondo comentários, submeto interações aos gerentes, checo os mais de 40 feeds que assino, atualizo/planejo/crio/programo os conteúdos das próximas semanas e dou uma olhada nas estatísticas. Esse ciclo se repete ao longo de todo o dia e não acontece, necessariamente, nesta ordem.

12:00: Provavelmente estou com o estômago colado nas costas de fome. No escritório, quem não leva comida, almoça num restaurante aqui perto, mas que não dá pra ir à pé. Então quem vem de carro, reveza a carona pro almoço. Ando de parabéns na hora do almoço. Como salada, arroz, feijão e alguma carne de frango.

13:00: Já de volta ao escritório. É a pior parte do dia porque as tardes são muito longas pra mim e eu, geralmente, já resolvi grande parte do que eu precisava pela manhã. Aproveito o momento mais ocioso para fazer alguma parte do meu trabalho de freela e ler um livro voltado pra carreira. Mas confesso que meu pensamento está lá na minha casa, onde eu seria muito mais produtiva já adiantando o jantar do Ian, lavando ou passando as roupas que se acumulam dia a dia. (Não, eu não tenho empregada.)

14:30: Já tô com fome de novo. Se tiver fruta, vou de fruta (tem um monte de ambulante vendendo goiaba, morango, banana nos semáforos a caminho do escritório). Se não tiver, outro pão – mas sem café.

17:00: Agora minhas costas ardem de dor. Minha estação de trabalho não é das mais ergonômicas. A começar porque eu uso notebook. Dou uma volta, levanto, faço algum alongamento e como alguma coisa de novo. Contagem regressiva para as 18:00.

17:50: Saio dez minutos antes por causa do trânsito. Ian chega em casa, no máximo, às 18:30 e eu preciso estar lá para recebê-lo.

18:20: Com sorte, chego em casa a essa hora. Me jogo na cama nem que seja por 15 minutos. Costas ardendo e cabeça à mil.

18:40: É o horário que o Ian chega da aula. Ontem ele nem chegou a subir, já peguei ele e fui direto pra academia. Com marido personal trainer, malhar não é uma escolha é uma questão de manter o casamento. Mas confesso que me sinto melhor depois da aula, mesmo estando juntando cacos a essa hora.

19:00: Faço dez minutos de esteira só pro sangue circular e eu me aquecer, depois vou pra musculação. Nada muito pesado, só o suficiente pra eu não chegar no fim da gravidez torta.

20:30: Voltamos os 3 pra casa e começa a confusão. Coloco o Ian no chuveiro de molho e vou pro fogão fazer a janta dele. Se der, aproveito pra fazer pra mim também, se não, ele come primeiro, escova os dentes, eu faço dormir e só depois vou fazer minhas coisas. Ontem foi um dia que deu pra eu comer alguma coisa junto com ele.

21:00: Ian jantado e na cama, vendo TV antes de dormir. Lavo a louça do jantar, SECO  a louça do jantar e GUARDO a louça do jantar. Ok, confesso que não é todos os dias que faço isso, mas lavar a louca e usar o escorredor de pratos como armário é uma coisa que me deixa fora do sério. Tipo não tá arrumado, mas também não deixa de estar. Argh!

Vou pro tanque lavar o uniforme. Incrível como o ano vai passando e as peças do uniforme vão evaporando! Juro que ele começou o ano com duas bermudas, cinco camisas do regular, duas do integral e uma calça. Hoje ele está com duas blusas do regular, uma do integral, uma bermuda e uma blusa de frio. Se alguém souber onde fica o buraco negro dos uniformes, por favor, me avisa. Rezo pra estar tudo sequinho na manhã seguinte. Caso contrário, vou ter que secar no ferro.

22:00: Me jogo no sofá pra dar uma sapeada nas redes sociais. Depois, completamente desfeita, me jogo no chuveiro mais quente que tiver. Enquanto a água esquenta, lembro que a última vez que lavei o cabelo foi no sábado passado. Quase não acredito, mas vou ter que molhar a cabeça e secar com secador depois. Sério? Sério…

Entro no chuveiro, lavo o cabelo. Duas vezes xampu, uma vez condicionador – que é uma bosta, mas do qual não consigo me desfazer. Corpo, enxágua, fecha a água, toalha. Merda! Esqueci de lavar o rosto com o sabonete específico pra colônia de espinhas que se instalou na minha cara. E esqueci de passar hidratante no corpo também (daqueles que passa no chuveiro mesmo). Foda-se. Vai só a loção adstringente mesmo. Escova os dentes, desenrola o cabelo da toalha e seca no secador da forma mais tosca possível (o suficiente pra não encharcar a fronha).

TRESemmé 400ml. Não acaba NUNCA!

22:30: Cama. Não sei meu nome, não sei como eu fiquei de pé até essa hora. Não sei o que está passando na televisão, não sei como minhas costas aguentaram tanto tempo. Lembro que hoje ainda era quinta-feira. Ah, melhor dormir…

13, 14 semanas…

A gravidez da minha segunda filha tem tido um gosto de primeira pra mim. Porque tem muito tempo que o primeiro nasceu e as coisas eram bem diferentes naquela época. A experiência tem sido mais intensa, as sensações boas e ruins, a existência e a expectativa da criaturinha que nasceu primeiro, enfim… Diferente.

Estou na 13a. para 14a. semana de gestação. E se o enjoo, finalmente, foi porta afora, a dor de cabeça veio e parece que vai ser para todo o sempre!

Há quase uma semana estou com uma dor de cabeça incessante. É desesperador! Não há nada que você faça que melhore, não há remédio que se tome, não há sono que baste ou posição que seja mais confortável. Não te sobra neurônios pra raciocinar sobre o trabalho, os horários, as obrigações e tudo o que eu desejo profundamente é dormir. Porque é a única hora em que não dói. E mesmo assim, eu acordo com a maldita.

Parei no hospital duas vezes, fui fortemente medicada duas vezes, suspeitaram de meningite e nada!

Procurei um pronto-socorro em Belo Horizonte que tivesse um neurologista de plantão e dei com a cara na porta do Hospital Madre Teresa, onde me recusaram o atendimento porque eu estou grávida. O cúmulo do absurdo.

Frustrada, cansada, absolutamente arrasada e morta de dor, voltei pra casa com a missão de tentar descansar e uma receita de dois Tylenol 750mg a cada seis horas. (Não preciso dizer que foi mais frustrante ainda me entupir de paracetamol e morrer na praia com a dor na cabeça.)

Essa epopeia durou de terça à noite a sexta. No sábado, minha última esperança era uma massagem relaxante. Tentei todos os spas de Belo Horizonte. Dos mais “baratos” ao fodérrimo do Vila da Serra. Em vão. Todos tem um cardápio maravilhoso de tratamentos mas em grávida, ninguém põe a mão – a menos que seja para fazer uma drenagem linfática. Hora, eu não estou inchada, estou à beira de um ataque de nervos! Mas não… Para grávida, só o raio da drenagem (que, sinceramente, pra mim não funcionou).

Foi então que, num lampejo, me veio à mente o Instituto Nascer. Liguei no sábado de manhã, expliquei minha situação e qual não foi a minha feliz surpresa ao saber que eles tem todos os tratamentos relaxantes dos outros spas só que pra grávida! E não, não custam uma fortuna!

Tomei um banho e cheguei lá às 12:00. O lugar é lindo! Te traz uma paz imensa só de entrar lá. Fui atendida pela Camila, uma terapeuta mega simpática, que me fez uma massagem dos deuses! Se minha dor de cabeça melhorou? Não. Mas eu me senti melhor fisicamente e como pessoa.

À medida que Camila fazia a massagem em mim, eu comecei a reparar que, na verdade, eu me senti completamente marginalizada! As pessoas tem medo das mulheres grávidas. Em função da mudança hormonal, a gente só ganha rótulos: a doida, a ciumenta, a desequilibrada, a sensível, a dodói, a surtada. Mas carinho e atenção mesmo a gente não ganha! Nos hospitais onde não há maternidade, não nos atendem! No trabalho, nos olham com desconfiança. Às vezes a família tem preguiça, o marido não entende.

E tudo o que a gente precisa é de um toque. Um afago, um aconchego. E eu me senti acolhida tanto pelo Nascer quanto pela Camila e a massagem. Ela não subestimou a minha dor, não ridicularizou a situação. E isso pode até parecer meio erótico, mas limpem as mentes: o toque firme, profundo, as mãos quentes da terapeuta me fizeram realmente acalmar e me sentir segura – em vez de me sentir um estorvo. Foi bom, muito bom. Não resolveu minha enxaqueca (depois de 5 dias persistindo, a dor de cabeça sobe de posto), mas me acalmou bastante. Recomendo.

Moving on no fim de semana, fui almoçar na minha sogra, voltei pra casa e continuei pedindo a Deus pra me livrar desse estorvo dessa dor da cabeça. Me olho no espelho e vejo um espantalho, além de tudo. Porque, né, as forças são quase nulas até pra tomar banho, que dirá pra escovar o cabelo, passar chapinha, desodorante, maquiagem pra dar uma camuflada nas espinhas… Vai ser mulher, esposa, mãe, trabalhar fora E ficar grávida, boba… Vai… A equilibrista de pratinhos do Circo da China tem inveja de mim.

Cheiros tem me matado de ódio. Sim, porque quando a gente fica grávida, a gente não tem uma antipatiazinha, a gente morre de ódio! (O último lugar que uma criatura quer estar é num caderninho negro de uma grávida.) Eu morro de ódio do desodorante do marido. Sério. Escutar o barulho do spray já me lembra que quando eu entrar no banheiro, aquele maldito cheiro vai estar lá.

Não bastando, comprei, antes de engravidar, um kit de sabonetes daquela linha VôVó da Natura. Demorou tanto pra chegar o pedido, que quando veio, o anivers da minha avó já tinha passado e eu resolvi ficar com o raio do sabonete pra mim. PRA-QUÊ?! O cheiro de talco se espalha pelo banheiro igual peste! Gruda no corpo e não sai nunca mais! Marido tava tomando banho com aquele negócio e eu tinha vontade de correr da cama quando ele chegava com cheiro de banho tomado no asilo mais próximo! Hoje passei na farmácia e comprei a embalagem econômica da Dove. Mandei o demônio do sabonete longe!

Por incrível que pareça, o único cheiro suportável pra mim tem sido o de um creme mega ultra velho da Victoria´s Secret. E é o que eu tenho usado como perfume, inclusive. Marc Jacobs, Mont Blanc… Ih… Vão perecer no armário.

Ah! Não poderia fechar esse post sem antes dar um alerta aos sem noção de plantão!

Assim como o parto, a escolha do nome da criança é algo que só compete aos pais da criatura que vai vir ao mundo. Claro que vocês, queridos amigos, que estão felicíssimos com a chegada de mais um bebê na turma querem saber a alcunha forjada na certidão de nascimento. Mas ao ouvirem a resposta à clássica pergunta “já tem nome?”, recolham-se à insignificância da opinião de vocês caso o nome não seja do seu agrado. Solte um “legal” em vez de matar pai e mãe de ódio tentando sugerir nomes que agradam a vocês (e tão somente vocês). Se o pai e a mãe já tem um consenso a respeito do nome da criança, é tudo o que importa. Significados literais e emocionais estão por trás desta escolha.

Minha filha vai se chamar Lia. Como a minha bisavó se chamava. E meu marido está perfeitamente à vontade com esta decisão. Honestamente pouco me importa se você tem problemas com a faxineira do seu prédio que se chama Lia e você odeia, ou se acha que Lia é nome de babá ou de gente da perifa. Sério, POUCO ME IMPORTA! Vejo toneladas de crianças sendo registradas como Nina e, pra mim, Nina é nome de cachorro. Nem por isso eu olho pra criança e vejo uma porra de um poodle insuportável. (Aliás, a avó do meu primeiro filho se chama Nina e é uma pessoa adorável.)

Quanto aos significados, Lia, PRA MIM, significa ternura, que é o sentimento imediato que me vem ao coração quando penso na minha bisavó. Além disso, ela foi mãe da minha avó materna, que é uma das pessoas mais incríveis que eu conheço e me daria muita honra poder homenageá-la.

Literalmente destrinchando o nome, em alguma língua, hebraico, se não me falha a memória, Lia significa leoa. E, sério, eu vejo MUITO National Geographic. Sei bem do que uma leoa é capaz pela vida e pela vida do seu bando.

Então, faz um favor pra mim e em nome da nossa boa convivência: nunca, jamais, compare o nome da minha filha ao nome da faxineira, ou diga que faz alusão à fêmea do elefante. Isso não vai mudar minha opinião e, honestamente, só aumenta as suas chances de entrar no caderninho. Beatriz é lindo, Luíza é lindo, Maria é lindíssimo, Eduarda é lindo, Helena é clássico, e todas elas ganharam belíssimas músicas de compositores fodas. Mas Lia é tão apaixonante que ganhou o coração de Chico Buarque. (E este último fato é quase irrelevante porque eu não ligo muito pro Chico, mas se é pra colocar em pé de igualdade, já fizeram uma homenagem a uma Lia sensacional. E com licença. Cuidem da semana de vocês que eu ainda tenho um papo sério com essa merda dessa dor de cabeça.)

Updating post: esqueci de mencionar que hoje foi a minha primeira caminhada de 40 minutos depois de a médica liberou. Fui crente que liberação de endorfinas iria ajudar no alívio da dor. Resultado: quase desmaiei uma vez e fiquei absolutamente morta avec farofa. A cabeça? Latejando como nunca! Cheguei da rua, com pouquíssimo fôlego, me achando uó e descabelada. Tomei um banho pra ver se o corpo sossegava e a dor amenizava. Fui almoçar com meu pai, tomei uma tacinha de espumante e, quando tudo estava bom demais pra ser verdade, a maldita veio arrebentando. Não pretendo parar de me exercitar, já que está tudo bem a bebê e os exercícios fazem bem pra ela, mas olha… que está sendo um sacrifício descomunal, está. Orem por mim. Beijo e boa semana.

Por um mundo onde a cesárea não seja crime!

Então…

O assunto é polêmico.

Cá estou eu, entrando na nona semana da minha segunda gravidez, feliz da vida com meus enjoos, a sensação de arrastar um piano todo dia, o cansaço, o sono e tendo que enfrentar dúzias de narizes torcidos quando falo sobre o tipo de parto que escolhi pra mim. #sóquenão Das duas vezes.

Desde quando engravidei do Ian, a poesia da maternidade passou a quilômetros de mim. Minha pele não era de comercial, meu humor não era lindo, eu não me sentia plena, meu cabelo não ficou incrível e eu não conversava com a barriga. Não, eu não amava estar grávida! E sempre tive muito, muito medo do parto normal. Não acho lindo ficar 24 horas ou mais se transformando num bagaço, morrendo de dor e fazendo uma esforço desumano para passar por um buraco de 5 cm uma cabeça cujo diâmetro excede esta medida em vários centímetros e ombros que também medem mais de 5cm desde a 20a semana de gravidez. Sempre me pergunto o objetivo disso tudo.

Minha natureza e auto-estima são suficientemente evoluídas para que eu não tenha que passar por uma sessão-tortura para me sentir mais mulher ou mais mãe. Também não preciso aguçar meus instintos animais, obrigada.

Condeno? Não. Quem quiser, que tenha lá seu parto natural/normal/humanizado.  Deitada, de quatro, de cócoras, na banheira, no mar… Se não há risco pra criança e a mãe é raçuda o suficiente (sim, porque parto normal exige raça ou uma genética MUITO abençoada), manda brasa! Acho legal. Minha mãe, minha sogra, minha cunhada, minha prima, todas tiveram partos normais. E ok. Mas não vai partir de mim a atitude de ENDEUSAR a mulher porque ela teve parto normal. Assim como eu não quero ser APEDREJADA quando falo que meu filho (ou minha filha) vai nascer de cesariana.

Fui MUITO FELIZ na cesariana do Ian. Minha obstetra também é minha ginecologista desde a minha primeira menstruação e acompanhou muito de pertinho a gravidez. No último mês a pobre não ia nem ao cinema, estando a postos para qualquer eventualidade que pudesse surgir.

A eventualidade surgiu no dia 20 de fevereiro. Eu, com um abcesso monstro na virilha, podendo infeccionar a qualquer momento, fui submetida a uma cesárea para tirar o Ian com 37 semanas e 5 dias. Não foi assim uma EMERGÊNCIA, mas foi necessária. De qualquer forma, se ele não saísse naquele dia, sairia quando eu completasse as 38 semanas. Eu não queria entrar em trabalho de parto e pronto!

Não queria o drama da bolsa rompendo em algum lugar, da correria pra maternidade, das contrações, das dores, da anestesia às pressas. Não queria.

E assim foi. Cheguei ao Vila da Serra às 15:30 de cabelo escovado, unhas feitas e maquiada para receber meu pacotinho. A anestesia doeu sim, mas foi dada de forma muito tranquila. Recebi a peridural sentada, apoiada por duas enfermeiras e aplicada por um anestesista mega paciente! Em seguida minha médica me passou uma sonda para que eu ficasse absolutamente deitada nas 24 horas seguintes ao parto e assim diminuísse o incômodo quando eu me levantasse.

Às 16:37, com meu pai ao meu lado na sala de parto e quase um Mineirão lotado na salinha com visor, Ian nasceu. Lindo e saudável, com incríveis 51cm, 3.060 gramas, e Apgar 9 (só não teve 10 com louvor pq estava levemente ictérico).

Ele foi pro berçário e eu pra sala de recuperação. Não tive ganas de amamentá-lo nos primeiros minutos de vida. Acredito fortemente que essa ansiedade da mulherada ferra tudo! O leite não desce imediatamente na hora que o menino nasce. Primeiro vem o colostro, que pode demorar de  1 a 3 dias após o parto para descer e depois o leite. Meu colostro desceu horas após o parto. E tudo bem! A natureza é sábia com os bebês também. Eles não vão morrer de fome. Tem uma reserva energética para supri-los.

Chegando no quarto, duas enfermeiras me enfaixaram (o abdômen) beeeeeeeem apertadinho, pra colocar tudo no lugar. Depois a enfermeira de amamentação veio, colocou geral pra fora do quarto, e, calma, eu aprendi a amamentar.

No dia seguinte, tiraram a sonda e eu levantei. Foi absolutamente indolor? Não. Foi insuportável? Também não. Os primeiros passos foram receosos, meio curvada, mas aos poucos fui adotando a postura homo erectus e ficou tudo bem. Não, não demorou um mês para eu me recuperar.

Fui pra casa no domingo deixando na maternidade os 8kg que ganhei na gestação e muito feliz! A realização da maternidade não está relacionada ao tipo de parto que você escolhe e sim ao tipo de mãe que você é e vai ser pro seu filho. Se delegar a criação da criança, a realização da maternidade não vai vir nunca, mesmo que você tenha ficado 48 horas em trabalho de parto, sofrendo.

Outra coisa que me irrita nas fundamentalistas do parto normal é a dose de egoísmo que vem junto com a vontade de parir.

Estava vendo aquele Boas Vindas do GNT e tinha uma mãe que queria parto normal a qualquer preço. A bolsa estava rompida e uma infecção poderia acometer mãe e bebê. Ela sabia disso e decidiu prosseguir com o parto normal mesmo assim. Porque era um desejo DELA. Conclusão: a menina nasceu e dois dias depois foi pra UTI com infecção generalizada. Será que valeu?

Isso acontece em TODOS os casos? Claro que não. Mas tem muita mulher que prega o parto normal/natural/humanizado a qualquer preço e eu não concordo com isso.

Long story short: se você for indiscreto o suficiente para perguntar qual é o tipo de parto que a mãe vai escolher, esteja preparado para engolir seco caso ela opte por um parto que não condiz com o que vc espera para si ou para o mundo. Cada mulher tem suas expectativas e algumas só querem que tudo seja o mais confortável, seguro e previsível possível. Tipo eu.