13, 14 semanas…

A gravidez da minha segunda filha tem tido um gosto de primeira pra mim. Porque tem muito tempo que o primeiro nasceu e as coisas eram bem diferentes naquela época. A experiência tem sido mais intensa, as sensações boas e ruins, a existência e a expectativa da criaturinha que nasceu primeiro, enfim… Diferente.

Estou na 13a. para 14a. semana de gestação. E se o enjoo, finalmente, foi porta afora, a dor de cabeça veio e parece que vai ser para todo o sempre!

Há quase uma semana estou com uma dor de cabeça incessante. É desesperador! Não há nada que você faça que melhore, não há remédio que se tome, não há sono que baste ou posição que seja mais confortável. Não te sobra neurônios pra raciocinar sobre o trabalho, os horários, as obrigações e tudo o que eu desejo profundamente é dormir. Porque é a única hora em que não dói. E mesmo assim, eu acordo com a maldita.

Parei no hospital duas vezes, fui fortemente medicada duas vezes, suspeitaram de meningite e nada!

Procurei um pronto-socorro em Belo Horizonte que tivesse um neurologista de plantão e dei com a cara na porta do Hospital Madre Teresa, onde me recusaram o atendimento porque eu estou grávida. O cúmulo do absurdo.

Frustrada, cansada, absolutamente arrasada e morta de dor, voltei pra casa com a missão de tentar descansar e uma receita de dois Tylenol 750mg a cada seis horas. (Não preciso dizer que foi mais frustrante ainda me entupir de paracetamol e morrer na praia com a dor na cabeça.)

Essa epopeia durou de terça à noite a sexta. No sábado, minha última esperança era uma massagem relaxante. Tentei todos os spas de Belo Horizonte. Dos mais “baratos” ao fodérrimo do Vila da Serra. Em vão. Todos tem um cardápio maravilhoso de tratamentos mas em grávida, ninguém põe a mão – a menos que seja para fazer uma drenagem linfática. Hora, eu não estou inchada, estou à beira de um ataque de nervos! Mas não… Para grávida, só o raio da drenagem (que, sinceramente, pra mim não funcionou).

Foi então que, num lampejo, me veio à mente o Instituto Nascer. Liguei no sábado de manhã, expliquei minha situação e qual não foi a minha feliz surpresa ao saber que eles tem todos os tratamentos relaxantes dos outros spas só que pra grávida! E não, não custam uma fortuna!

Tomei um banho e cheguei lá às 12:00. O lugar é lindo! Te traz uma paz imensa só de entrar lá. Fui atendida pela Camila, uma terapeuta mega simpática, que me fez uma massagem dos deuses! Se minha dor de cabeça melhorou? Não. Mas eu me senti melhor fisicamente e como pessoa.

À medida que Camila fazia a massagem em mim, eu comecei a reparar que, na verdade, eu me senti completamente marginalizada! As pessoas tem medo das mulheres grávidas. Em função da mudança hormonal, a gente só ganha rótulos: a doida, a ciumenta, a desequilibrada, a sensível, a dodói, a surtada. Mas carinho e atenção mesmo a gente não ganha! Nos hospitais onde não há maternidade, não nos atendem! No trabalho, nos olham com desconfiança. Às vezes a família tem preguiça, o marido não entende.

E tudo o que a gente precisa é de um toque. Um afago, um aconchego. E eu me senti acolhida tanto pelo Nascer quanto pela Camila e a massagem. Ela não subestimou a minha dor, não ridicularizou a situação. E isso pode até parecer meio erótico, mas limpem as mentes: o toque firme, profundo, as mãos quentes da terapeuta me fizeram realmente acalmar e me sentir segura – em vez de me sentir um estorvo. Foi bom, muito bom. Não resolveu minha enxaqueca (depois de 5 dias persistindo, a dor de cabeça sobe de posto), mas me acalmou bastante. Recomendo.

Moving on no fim de semana, fui almoçar na minha sogra, voltei pra casa e continuei pedindo a Deus pra me livrar desse estorvo dessa dor da cabeça. Me olho no espelho e vejo um espantalho, além de tudo. Porque, né, as forças são quase nulas até pra tomar banho, que dirá pra escovar o cabelo, passar chapinha, desodorante, maquiagem pra dar uma camuflada nas espinhas… Vai ser mulher, esposa, mãe, trabalhar fora E ficar grávida, boba… Vai… A equilibrista de pratinhos do Circo da China tem inveja de mim.

Cheiros tem me matado de ódio. Sim, porque quando a gente fica grávida, a gente não tem uma antipatiazinha, a gente morre de ódio! (O último lugar que uma criatura quer estar é num caderninho negro de uma grávida.) Eu morro de ódio do desodorante do marido. Sério. Escutar o barulho do spray já me lembra que quando eu entrar no banheiro, aquele maldito cheiro vai estar lá.

Não bastando, comprei, antes de engravidar, um kit de sabonetes daquela linha VôVó da Natura. Demorou tanto pra chegar o pedido, que quando veio, o anivers da minha avó já tinha passado e eu resolvi ficar com o raio do sabonete pra mim. PRA-QUÊ?! O cheiro de talco se espalha pelo banheiro igual peste! Gruda no corpo e não sai nunca mais! Marido tava tomando banho com aquele negócio e eu tinha vontade de correr da cama quando ele chegava com cheiro de banho tomado no asilo mais próximo! Hoje passei na farmácia e comprei a embalagem econômica da Dove. Mandei o demônio do sabonete longe!

Por incrível que pareça, o único cheiro suportável pra mim tem sido o de um creme mega ultra velho da Victoria´s Secret. E é o que eu tenho usado como perfume, inclusive. Marc Jacobs, Mont Blanc… Ih… Vão perecer no armário.

Ah! Não poderia fechar esse post sem antes dar um alerta aos sem noção de plantão!

Assim como o parto, a escolha do nome da criança é algo que só compete aos pais da criatura que vai vir ao mundo. Claro que vocês, queridos amigos, que estão felicíssimos com a chegada de mais um bebê na turma querem saber a alcunha forjada na certidão de nascimento. Mas ao ouvirem a resposta à clássica pergunta “já tem nome?”, recolham-se à insignificância da opinião de vocês caso o nome não seja do seu agrado. Solte um “legal” em vez de matar pai e mãe de ódio tentando sugerir nomes que agradam a vocês (e tão somente vocês). Se o pai e a mãe já tem um consenso a respeito do nome da criança, é tudo o que importa. Significados literais e emocionais estão por trás desta escolha.

Minha filha vai se chamar Lia. Como a minha bisavó se chamava. E meu marido está perfeitamente à vontade com esta decisão. Honestamente pouco me importa se você tem problemas com a faxineira do seu prédio que se chama Lia e você odeia, ou se acha que Lia é nome de babá ou de gente da perifa. Sério, POUCO ME IMPORTA! Vejo toneladas de crianças sendo registradas como Nina e, pra mim, Nina é nome de cachorro. Nem por isso eu olho pra criança e vejo uma porra de um poodle insuportável. (Aliás, a avó do meu primeiro filho se chama Nina e é uma pessoa adorável.)

Quanto aos significados, Lia, PRA MIM, significa ternura, que é o sentimento imediato que me vem ao coração quando penso na minha bisavó. Além disso, ela foi mãe da minha avó materna, que é uma das pessoas mais incríveis que eu conheço e me daria muita honra poder homenageá-la.

Literalmente destrinchando o nome, em alguma língua, hebraico, se não me falha a memória, Lia significa leoa. E, sério, eu vejo MUITO National Geographic. Sei bem do que uma leoa é capaz pela vida e pela vida do seu bando.

Então, faz um favor pra mim e em nome da nossa boa convivência: nunca, jamais, compare o nome da minha filha ao nome da faxineira, ou diga que faz alusão à fêmea do elefante. Isso não vai mudar minha opinião e, honestamente, só aumenta as suas chances de entrar no caderninho. Beatriz é lindo, Luíza é lindo, Maria é lindíssimo, Eduarda é lindo, Helena é clássico, e todas elas ganharam belíssimas músicas de compositores fodas. Mas Lia é tão apaixonante que ganhou o coração de Chico Buarque. (E este último fato é quase irrelevante porque eu não ligo muito pro Chico, mas se é pra colocar em pé de igualdade, já fizeram uma homenagem a uma Lia sensacional. E com licença. Cuidem da semana de vocês que eu ainda tenho um papo sério com essa merda dessa dor de cabeça.)

Updating post: esqueci de mencionar que hoje foi a minha primeira caminhada de 40 minutos depois de a médica liberou. Fui crente que liberação de endorfinas iria ajudar no alívio da dor. Resultado: quase desmaiei uma vez e fiquei absolutamente morta avec farofa. A cabeça? Latejando como nunca! Cheguei da rua, com pouquíssimo fôlego, me achando uó e descabelada. Tomei um banho pra ver se o corpo sossegava e a dor amenizava. Fui almoçar com meu pai, tomei uma tacinha de espumante e, quando tudo estava bom demais pra ser verdade, a maldita veio arrebentando. Não pretendo parar de me exercitar, já que está tudo bem a bebê e os exercícios fazem bem pra ela, mas olha… que está sendo um sacrifício descomunal, está. Orem por mim. Beijo e boa semana.

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2 respostas em “13, 14 semanas…

  1. “Ave Maria cheia de graça, senhor é convosco….”

    Tô rezando bastante para que nossa “leoa” doce te dê muita calma e sabedoria para conseguir filtrar os comentários e atitudes dos próximos e não se deixar atingir.

    Aproveite mais o seu momento! E encarneca leoa que está pra nascer para q ela não sofra desde já!!

    Cuida da minha menina aí!! Rs rs…

    E vamos ver se esse fds sai o alongamento, né? Rs rs…

    Bjooooooooo

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