Blogar

Blogar é ao mesmo tempo uma arte, um amor, um vício e um problema.

Blogo desde os 19 anos. Sempre dou voltas em torno do rabo e por mais que tente me desviar, acabo caindo nos mesmos temas: moda, artes, música, literatura, algumas viagens e… sentimentos. É uma coisa isso. E cada um lê de um jeito, né?

Foram tantos blogs ao longo dessa estrada que já nem faço mais contas de quantos eu abri e encerrei.

E o blog, fundamentalmente, foi feito para ser um diário eletrônico. As pessoas publicavam seus sentimentos e opiniões para fazer coro e fórum com outros corações partidos, turistas perdidos ou partidários fanáticos de alguma causa.

Eu blogo pelo prazer de escrever. Para compartilhar. Para conversar.

Outro dia estava lendo (ah, sim! Também leio muito!) e vi um autor que descreveu exatamente como me sinto quando estou escrevendo:

Para quem escreve?

Para ninguém. O escritor escreve para acalmar os seus próprios fantasmas interiores. Tenho descoberto que as pessoas com quem gosto mais de falar são aquelas que não têm voz. Existe um jogo de adivinhação que gosto de fazer, que é o de questionar alguém que nunca foi chamado para dizer nada. O que é que essas pessoas gostariam de dizer? É isso que me faz correr.

Fonte: http://www.livrosepessoas.com/2012/07/27/mia-couto-escrevo-para-acalmar-os-fantasmas/

E quando eu escrevo, imagino várias pessoas tendo com meus textos a mesma reação que tive ao ler este trecho da entrevista de Mia Couto: “puxa, ela escreveu pra mim!” Ou “caramba, isso descreve a minha vida!”.

Muita gente me critica MUITO. Diz que eu exponho minha vida para todo mundo, que eu coloco meus problemas e dilemas na rede. Não é bem assim… Se fosse, todos os textos do mundo seriam a literalidade de múltiplas personalidades de milhões de pessoas. Afinal, Tati Bernardi e Gabito Nunes (alguns dos meus preferidos) não sofreram TANTO assim de amor. E nem tiveram TANTAS pessoas assim permeando sua história.

É fato e unânime entre todos que tem a sensibilidade na pontas dos dedos (no sentido metafórico que de usamos os dedos para escrever) que a tristeza inspira mais que a alegria. Comigo não é diferente. Tenho meus desapontamentos com o mundo, com as pessoas, com as minhas próprias expectativas. É normal. E nessas horas, invoco Paulo Leminski que diz:

Razão de ser

Escrevo. E pronto.

Escrevo porque preciso

preciso porque estou tonto.

Ninguém tem nada com isso.

Escrevo porque amanhece.

E as estrelas lá no céu

Lembram letras no papel,

Quando o poema me anoitece.

A aranha tece teias.

O peixe beija e morde o que vê.

Eu escrevo apenas.

Tem que ter por quê?

Fazendo uma retrospectiva nos meus textos, vejo claramente a tristeza e a beleza da tristeza em todos eles. Mas eles não, necessariamente, descrevem algum fato que aconteceu AGORA. O sentimento de hoje pode evocar uma lembrança de ontem. Alguma coisa que não foi dita a alguma pessoa que nem pertence mais à sua história. Alguma carta (ou e-mail, né?) que não foi enviada, alguma lágrima que não foi devidamente derramada, algum desespero que não fluiu, algum porre que não se tomou. E tudo vira material de pesquisa. O acervo da história de cada um. O momento caça-fantasmas. Porque, diz aí, hoje tudo pode estar bem, mas no dia, naquele dia da briga, do adeus, a sensação é de que a dor não ia acabar NUNCA MAIS.

Escrever é a minha forma de mandar embora até os caquinhos de ficaram debaixo do tapete e de dizer a quem interessar possa que não, você não está sozinho(a). Eu também passo por isso.

A maior prova que tive de que não estou sozinha no mundo e dou alento a muita gente é o meu texto publicado em 2010, no blog Don´t Touch My Moleskine, da Dani Arraes. Até hoje são mais de 4.600 likes no Facebook. O feedback foi impressionante!

Gente dizendo: “Nossa, adorei esse texto. Me identifiquei muito² com ele. Muito bom mesmo.” E “incrível saber que outras pessoas passam “exatamente” pelo que passei, e depois de muita lágrima conseguem seguir em frente. Já senti e sinto isso, e imagino a sua felicidade, de ter vivido, de ter amado, e de seguir…

É de uma alegria sem tamanho, e é o que me motiva a continuar escrevendo não para me expor, como muitos falam e julgam, mas porque Vinícius o fazia, Drummond o fazia, a Tati faz, o Gabito faz, a Fernanda faz. Tem elementos de vida real? Claro… A gente sempre procura no baú uma dor parecida com a atual para embasar os argumentos. Mas toda e qualquer semelhança com a minha vida real é mera coincidência.

Outra coisa: povo, eu não sou rica! Deus me deu o bom gosto e me tirou o dinheiro. Mas não me tirou a inteligência, o olhar apurado, o interesse pelo bom e pelo belo e a capacidade de criticar.

Se eu posto Armani, Louboutin, Dior, Chanel, Van Cleef & Arpels é porque eu leio, porque eu vejo, porque eu me interesso, porque eu consigo falar sobre e não porque eu TENHO/SOU!

Ando de Uno Mille comprado em suadas 36 prestações. Batido, sujo, zoneado e precisando de revisão (FIAT, dá uma forcinha pra nós!). Mas amo meu veículo! Encaro a louça na pia, as roupas sujas e uma vassoura como poucas, porque não tem grana pra pagar empregada todo dia. Sou do tipo que se vira no bolinho de arroz no fim do mês quando a geladeira e a carteira esvaziaram ao mesmo tempo! Mas paro tudo quando chega a Vogue, a Bazaar e quando é hora do GNT Fashion. Por que não?! Panis et circenses!

Então vamos lá… Abra essa cabeça… Se deixe viajar por outros mundos, outros sentimentos, outras poesias e inspirações….

Sapatos que não entendemos

Antes, um pouquinho de história para vocês entenderem quanto tempo e quanto trabalho deu para que os calçados chegassem ao ponto de sonho de consumo das mulheres:

Muitos atribuem aos egípcios a arte de curtir couro e fabricar sapatos, porém, existem evidências de que os sapatos foram inventados muito antes, no final do Período Paleolítico. Existem evidências que a história do sapato começa a partir de 10 mil a.C., ou seja, no final do Paleolítico, pois pinturas desta época, em cavernas na Espanha e no sul da França, fazem referência ao calçado. Entre os utensílios de pedra dos homens das caverna existem vários que serviam para raspar as peles, o que indica que a arte de curtir é muito antiga. Nos hipogeus egípcios, que eram câmaras subterrâneas usadas para enterros, e que têm idade entre seis e sete mil anos, foram descobertas pinturas que representavam os diversos estados do preparo do couro e dos calçados. No Antigo Egito, as sandálias dos egípcios eram feitas de palha, papiro ou de fibra de palmeira e era comum as pessoas andarem descalças, carregando as sandálias e usando-as apenas quando necessário. Sabe-se que apenas os nobres da época possuíam sandálias. Mesmo um faraó como Tutancamon usava sandálias e sapatos de couro simples, apesar dos enfeites de ouro. Na Mesopotâmia eram comuns os sapatos de couro cru, amarrados aos pés por tiras do mesmo material. Os coturnos eram símbolos de alta posição social. Na Grécia Antiga, os gregos chegaram a lançar moda, como a de modelos diferentes para os pés direito e esquerdo. Na Roma Antiga, o calçado indicava a classe social. Os cônsules usavam sapato branco, os senadores sapatos marrons presos por quatro fitas pretas de couro atadas a dois nós, e o calçado tradicional das legiões era a bota de cano curto que descobria os dedos. Na Idade Média, tanto homens como mulheres usavam sapatos de couro abertos que tinham uma forma semelhante ao das sapatilhas. Os homens também usavam botas altas e baixas, atadas à frente e ao lado. O material mais corrente era a pele de vaca, mas as botas de qualidade superior eram feitas de pele de cabra. A padronização da numeração [Hein? Que padronização?] é de origem inglesa. O rei Eduardo I foi quem uniformizou as medidas. A primeira referência conhecida da manufatura do calçado na Inglaterra é de 1642, quando Thomas Pendleton forneceu quatro mil pares de sapatos e 600 pares de botas para o exército. As campanhas militares desta época iniciaram uma demanda substancial por botas e sapatos. Em meados do século XIX começaram a surgir as máquinas para auxiliar na confecção dos calçados mas, só com a máquina de costura o sapato passou a ser mais acessível. A partir da quarta década do século XX, grandes mudanças começam a acontecer na Indústria calçadista, como a troca do couro pela borracha e pelos materiais sintéticos, principalmente nos calçados femininos e infantis. Atualmente algumas marcas de sapato se constituem enquanto símbolos de status social, assim, os sapatos deixam de ser apenas uma proteção para os pés.

Primeiro: tem sapatos que constituem verdadeiras torturas para os pés. Mas não importa. Nós os amamos mesmo assim.

Segundo: o sujeito das cavernas sairia com o porrete na mão pronto para abater quem transformou a criação dele nisso:

E tem gente que paga…

Fonte: Wikipédia

Achei chique! Chanel Cruise Collection 2012/2013

Abri pra postar um vídeo da linha de maquiagem Chanel, mas acabei procurando por novidades mais fresquinhas no canal da grife no YouTube e dei de cara com esse vídeo da Cruise Collection 2012/2013 da maison. E tomei nota de alguma impressões… Dá o play no vídeo e vem comigo!

Primeiro de tudo: tweed pra dar e vender! E como são lindos, clássicos e atemporais, né? De qualquer uma das coleções, ter um tweed Chanel no armário é como ter uma jóia: pra ser cuidado e guardado pra próxima geração!

Vi muitas e muitas peças com “anquinhas”. Não sei qual é a referência, qual é a época e, sinceramente, não sei se é usável no dia a dia. De qualquer forma, deu um ar super fresquinho, super leve, bem verão mesmo na produção armada no Palácio de Versailles.

E seguindo a onda de volume na altura dos quadris, peças com o já afamado peplum. Ainda não tenho opinião formada sobre. Tô tentando montar um look com uma vermelha que tenho em casa junto com uma saia lápis preta. Mas o frio polar que faz em BH não tá me deixando botar minha imaginação pra jogo…

Me marcou bastante também a presença de cinturas altas e marcadas, lembrando bem o New Look Dior. Será que estou enlouquecendo ou rolou uma inspiração?!

Claro, por ser uma Cruise Collection, os tons foram bem clarinhos, sutis, mas nada candy (modelo Louis Vuitton), graças a Deus! Tô odiando essa tendência!

Fiquei apaixonada pelo cinto de pérolas amarrado atrás com um laço de cetim! Quem quiser fazer um inspired por aqui, me avisa que eu vou correndo comprar!

Calças largas bem estilo pijama-pega-frango também foram quase unânimes. Por ser nanica de tudo, não sei se eu usaria do jeito que foi desfilado, mas com um salto poderoso e uma camisa mais justinha em cima, eu encaro!

Destaque para o primeiro modelo masculino: QUE BELEZA É AQUELA?!

Alguns looks tiveram uma carinha bem anos 20. Cinturinha mais baixa que me lembrou melindrosas que dançavam Charleston. Bem fofo, embora conceitual pra mim.

Como não poderia faltar numa coleção do kaiser Karl, vimos peças bem rockers! Brilhos, tachas, verniz e preto! Imprimiu a personalidade do estilista sem destoar do resto do desfile. Adorei!

Vi algumas modelos desfilando com as mãos na altura do que seria um “bolso” na saia? Confere essa referência clara à Carolina Herrera ou estou delirando?

Por último, mas não menos importante, nunca vi alguém misturar com tanto estilo gargantilhas elaboradas e maxi brincos! Nada ficou over! Não sei se tenho coragem, mas de qualquer forma a ousadia sempre é uma inspiração em qualquer aspecto da vida, né?

Bem, acho que é isso!

Tô orgulhosa da minha rapidez em postar este desfile porque tinha só 3 minutos que ele estava no ar! (E nenhuma das blogueiras do F*Hits postou sobre ele ainda!!!)