Por um mundo onde a cesárea não seja crime!

Então…

O assunto é polêmico.

Cá estou eu, entrando na nona semana da minha segunda gravidez, feliz da vida com meus enjoos, a sensação de arrastar um piano todo dia, o cansaço, o sono e tendo que enfrentar dúzias de narizes torcidos quando falo sobre o tipo de parto que escolhi pra mim. #sóquenão Das duas vezes.

Desde quando engravidei do Ian, a poesia da maternidade passou a quilômetros de mim. Minha pele não era de comercial, meu humor não era lindo, eu não me sentia plena, meu cabelo não ficou incrível e eu não conversava com a barriga. Não, eu não amava estar grávida! E sempre tive muito, muito medo do parto normal. Não acho lindo ficar 24 horas ou mais se transformando num bagaço, morrendo de dor e fazendo uma esforço desumano para passar por um buraco de 5 cm uma cabeça cujo diâmetro excede esta medida em vários centímetros e ombros que também medem mais de 5cm desde a 20a semana de gravidez. Sempre me pergunto o objetivo disso tudo.

Minha natureza e auto-estima são suficientemente evoluídas para que eu não tenha que passar por uma sessão-tortura para me sentir mais mulher ou mais mãe. Também não preciso aguçar meus instintos animais, obrigada.

Condeno? Não. Quem quiser, que tenha lá seu parto natural/normal/humanizado.  Deitada, de quatro, de cócoras, na banheira, no mar… Se não há risco pra criança e a mãe é raçuda o suficiente (sim, porque parto normal exige raça ou uma genética MUITO abençoada), manda brasa! Acho legal. Minha mãe, minha sogra, minha cunhada, minha prima, todas tiveram partos normais. E ok. Mas não vai partir de mim a atitude de ENDEUSAR a mulher porque ela teve parto normal. Assim como eu não quero ser APEDREJADA quando falo que meu filho (ou minha filha) vai nascer de cesariana.

Fui MUITO FELIZ na cesariana do Ian. Minha obstetra também é minha ginecologista desde a minha primeira menstruação e acompanhou muito de pertinho a gravidez. No último mês a pobre não ia nem ao cinema, estando a postos para qualquer eventualidade que pudesse surgir.

A eventualidade surgiu no dia 20 de fevereiro. Eu, com um abcesso monstro na virilha, podendo infeccionar a qualquer momento, fui submetida a uma cesárea para tirar o Ian com 37 semanas e 5 dias. Não foi assim uma EMERGÊNCIA, mas foi necessária. De qualquer forma, se ele não saísse naquele dia, sairia quando eu completasse as 38 semanas. Eu não queria entrar em trabalho de parto e pronto!

Não queria o drama da bolsa rompendo em algum lugar, da correria pra maternidade, das contrações, das dores, da anestesia às pressas. Não queria.

E assim foi. Cheguei ao Vila da Serra às 15:30 de cabelo escovado, unhas feitas e maquiada para receber meu pacotinho. A anestesia doeu sim, mas foi dada de forma muito tranquila. Recebi a peridural sentada, apoiada por duas enfermeiras e aplicada por um anestesista mega paciente! Em seguida minha médica me passou uma sonda para que eu ficasse absolutamente deitada nas 24 horas seguintes ao parto e assim diminuísse o incômodo quando eu me levantasse.

Às 16:37, com meu pai ao meu lado na sala de parto e quase um Mineirão lotado na salinha com visor, Ian nasceu. Lindo e saudável, com incríveis 51cm, 3.060 gramas, e Apgar 9 (só não teve 10 com louvor pq estava levemente ictérico).

Ele foi pro berçário e eu pra sala de recuperação. Não tive ganas de amamentá-lo nos primeiros minutos de vida. Acredito fortemente que essa ansiedade da mulherada ferra tudo! O leite não desce imediatamente na hora que o menino nasce. Primeiro vem o colostro, que pode demorar de  1 a 3 dias após o parto para descer e depois o leite. Meu colostro desceu horas após o parto. E tudo bem! A natureza é sábia com os bebês também. Eles não vão morrer de fome. Tem uma reserva energética para supri-los.

Chegando no quarto, duas enfermeiras me enfaixaram (o abdômen) beeeeeeeem apertadinho, pra colocar tudo no lugar. Depois a enfermeira de amamentação veio, colocou geral pra fora do quarto, e, calma, eu aprendi a amamentar.

No dia seguinte, tiraram a sonda e eu levantei. Foi absolutamente indolor? Não. Foi insuportável? Também não. Os primeiros passos foram receosos, meio curvada, mas aos poucos fui adotando a postura homo erectus e ficou tudo bem. Não, não demorou um mês para eu me recuperar.

Fui pra casa no domingo deixando na maternidade os 8kg que ganhei na gestação e muito feliz! A realização da maternidade não está relacionada ao tipo de parto que você escolhe e sim ao tipo de mãe que você é e vai ser pro seu filho. Se delegar a criação da criança, a realização da maternidade não vai vir nunca, mesmo que você tenha ficado 48 horas em trabalho de parto, sofrendo.

Outra coisa que me irrita nas fundamentalistas do parto normal é a dose de egoísmo que vem junto com a vontade de parir.

Estava vendo aquele Boas Vindas do GNT e tinha uma mãe que queria parto normal a qualquer preço. A bolsa estava rompida e uma infecção poderia acometer mãe e bebê. Ela sabia disso e decidiu prosseguir com o parto normal mesmo assim. Porque era um desejo DELA. Conclusão: a menina nasceu e dois dias depois foi pra UTI com infecção generalizada. Será que valeu?

Isso acontece em TODOS os casos? Claro que não. Mas tem muita mulher que prega o parto normal/natural/humanizado a qualquer preço e eu não concordo com isso.

Long story short: se você for indiscreto o suficiente para perguntar qual é o tipo de parto que a mãe vai escolher, esteja preparado para engolir seco caso ela opte por um parto que não condiz com o que vc espera para si ou para o mundo. Cada mulher tem suas expectativas e algumas só querem que tudo seja o mais confortável, seguro e previsível possível. Tipo eu.

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