Incrível como as liquidações de inverno conseguem enganar a gente, a conta no banco e o cartão de crédito, né? E a gente só percebe quando já foi…

Ontem eu fui ao shopping com o namorado ver Hancock e, óbvio, antes do filme a gente deu um giro pra ver o que tinha de bom. Parei em frente à vitrine da Ellus onde reinava uma sandália vermelha altérrima (isso ainda vai me render um problema de coluna), com uma tag enorme de liquidação e pela qual eu me apaixonei imediatamente.

Ai, Alê, quanto será que é, hein?

Sei lá, Cá. Entra lá e pergunta.

Encorajada, fui.

Entrei na loja e um mocinho muito simpático me atendeu. Perguntei se ele tinha numeração pra mim e ele disse que ia olhar, mas enquanto isso, por que eu não dava uma espiada nos outros modelos em liquidação no fundo da loja? “É, por que não? Não tô fazendo nada mesmo…” pensei.

Luógico que como boa shoe-addicted que sou, me encotrei no paraíso estando parada em frente a uma preteleira gigante de sapatos lindos, com etiquetas de desconto e saltos estratosféricos.

Foi quando encontrei uma peep toe cinza! Aparentemente nada demais, mas charmosa demais para não vir aos meus pés ainda que por poucos minutos.

Moço, tem dessa 36?

Vou dar uma olhada. Mas a vermelha eu não tenho mais, tá?

A essa altura meus olhos já brilhavam tanto que eu nem me lembrava que queria a sandália vermelha!

E ele trouxe a cinza 36. Calcei sentadinha naqueles sofás de couro preto maravilhosos que só a Ellus tem. Levei as mãos ao rosto e tampei a boca em expressão de maravilha: perfeita.

Anda com ela pra você ver. Por causa do salto alto e da meia pata embutida, ela deixa o pé da mulher lindo.

Filho duma égua! Eu caio de amores por qualquer coisa que deixe meus pés menos feios. Eu fui bailarina clássica por 13 anos, minha gente… Não há pé nesse mundo que passe incólume a anos de sapatilha de ponta.

Pois muito bem. A caminho do espelho, a gracinha simplesmente escapole do meu pé e quase causa o acidente do ano. Imaginem vocês a beleza de alguém que despenca de 15 cm de salto?! Situação num é boa não…

Acho que tá grande (e olho pro namorado com cara de pânico! Meus tênis são 37/38! O que está acontecendo com as formas dos sapatos?! O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM MEU PÉ?!)… Tem 35?

Vou olhar…

E nessa hora rezo pra tudo que é santo pra que brote um 35 no estoque.

Volta o rapazinho com um 35. “É o último.”

Experimentei, andei, olhei bem pra ele, consultei o namorado e, por fim, perguntei o preço.

R$ xxx,xx. R$100,00 de desconto.

Por um minuto pensei: nuossa… são cem legais a menos por um sapato da Ellus! E no minuto seguinte pensei: putz, mas ainda sim são R$xxx,xx…

Lembrei-me de um episódio na liquidação da Fórum de verão. Tinha uma sandália maravilhosa com salto de madeira que, no lançamento, custava tipo 400 legais e na liquidação caiu para 200. Pensei tanto, fui tantas vezes à loja e saí de mãos abanando que, quando resolvi comprar, só tinha numeração pra drag queen. Todas as outras moças finas da cidade levaram a minha sandália e eu fiquei sem.

“Isso não vai acontecer de novo!”, pensei. E, corajosa, saquei o cartão de crédito e comprei a peça mais fofa do meu inverno inteiro! Coisa pra usar de vez em quando, já que ela é de camurça também e tem o salto delicado.

Meus pés estão machucados e a gente sabe que a primeira vez de um sapato é bolha certa, mas hoje é dia de trabalhar de jeans. E nada mais elegante que um bom jenas, uma sandália matadora e uma produção bacana pra sair do trabalho e ir exibir a figura na baladinha…

Tô pobre, mas tô feliz… Coisas que só um sapato novo faz pra você!