Todo ser humano normal que se preze sempre olha pra trás antes de se jogar numa nova fase da vida. É assim antes do ano novo, antes do aniversário, antes da próxima seguda-feira, antes do próximo semestre de faculdade, antes do próximo emprego ou na iminência do próximo namoro.
Assim, nas minhas retrospectivas, não posso deixar de notar que:
Ano passado eu sofri pra cacete! Nossa Senhora das Lágrimas! Foram tantas e por tantos motivos que eu perdi as contas. Tava conversando com a Beta agora no GTalk e comentamos:
eu: Ou, outro dia eu tava lendo meu blog velho… que tristeza!
Roberta: ou qual é o endereco do novo mesmo? Tava tentando lembrar esses dias ele e nao sei. Já que nao me manda mais seus posts, que aliás, adoro!
eu: Bem… agora já tem vários novos, né? O novo já virou meio antigo e eu to fazendo outro. camilacantoni.tabulas.com
Roberta: que mudanca radical amiga
eu: Gente… eu sofri, né? Cruzes… que horror!
Roberta: nossa! Nem fale… E vc expressa muito bem os sentimentos entao tá tudo registrado.
eu: Cacete de agulha…
Roberta: rs.. passou amiga! Agora, primavera!Roberta: ![[smile]](http://bocado.wordpress.com/wp-admin/images/cleardot.gif)
eu: Chanson du Soleil já diz.
Outra coisa que eu não pude deixar de notar é que a minha paciência para lidar com a expectativa das pessoas, que já não era das melhores, ficou menor ainda. Parece que quando a gente passa por uma provação muito grande, nos tornamos mais egoístas introspectivos. Não considero um crime inafiançável, ainda que eu saiba que isso pode magoar outras pessoas.
Mas…
Eu era muito menina, muito carente, muito insegura com relação a um tanto de coisas, muito pra baixo, muito ciumenta. Baseava minha vida nos outros. Até o dia em que eu tomei o controle da minha vida e tudo mudou!
Hoje a minha vida é minha e só cabe a mim vivê-la. Eu quero virou quase sinônimo de eu posso.
Ih, Cá… Tenho dó do seu próximo namorado… Você mudou demais!
diziam as amigas, temendo o fato de que jamais alguém me seguraria de novo.
Eu continuo sendo do tipo casadoira, minha gente… companheira, presente, amiga, alguém que quer ter uma old school family.
Mas o caminho mais curto pra me segurar é me deixar livre e ser livre.
Ter sua própria vida, sua coisas pra fazer, seu trabalho, seus amigos. Ter coisas legais pra me contar, algo que eu ainda não saiba. Ser interessante por si só, me despertar curiosidade, ter seus mistérios. Ser constantemente desafiador, intrigante. Não precisa ser liiiindo de morrer não (nem pode), mas tem que ser charmoso, cheiroso (sempre!), vaidoso na medida certa, desleixado na medida certa. Tem que ser homem o suficiente para que eu (e todo mundo) possa admirá-lo. Ligeiramente inseguro para que eu possa pegá-lo no colo de vez em quando (de vez em quando). Alguém que me deixe ligeiramente insegura também (ligeiramente). Independente de mim. Que se goste, mas não se baste. Que se arrume de manhã, se perfume, se vista e se penteie pra si próprio - e eu venho de brinde!
Uai, mas então você quer um sujeito egoísta pra namorar?
Não, turma… Só que tenho pra mim que namorar alguém não é trocar de vida com a pessoa, tampouco fundir as vidas. Sabem aquele poema que eu amo?
Eu sou eu.
Você é você.
Eu não estou neste mundo para atender às suas expectativas.
E você não está neste mundo para atender às minhas expectativas.
Eu faço a minha coisa.
Você faz a sua.
E quando nos encontramos.
É muito bom.
Então. Eu realmente penso assim. Essa história de alma gêmea, tampa da panela, metade da laranja já passou. Eu acredito em amor à primeira vista e tal (aliás, sou vítima dele!), mas sou completa e não um pedaço de alguma coisa. E quero alguém completo também. Não um pedaço de alguém. Não alguém que precise de mim pra exisitir. Deu pra entender?
Outra coisa que eu saquei é que, quando a gente tem uma alma legal (eu acho que eu tenho uma alma legal), guardamos só o que de bom aconteceu em determinada situação e procuramos esquecer as partes más.
Seja quando alguém nos magoou e depois a mágoa foi esvaindo, seja quando o trabalho foi doído, seja quando tomamos uma rasteira.
Eu, quando olho pra trás e penso em todas as situações e pessoas que já passaram pela minha vida, lembro só dos pedaços legais.
Daí penso: “bolas, porque a gente não conversa mais? Vou ligar pra fulana.” Só depois é que vou lembrar porque mesmo que os caminhos se separaram.
Não sei se é bom ou ruim porque às vezes a gente paga de trouxa, mas é mais fácil não guardar rancor. Dá câncer.
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